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E o ser pai?

Olá Catitas!

Sabem quando somos pequeninas e nos sentamos a ouvir as inúmeras histórias que as nossas avós, tias ou mãe nos contam? Sabem quando ouvimos a evolução do conto do nascimento dos diferentes membros da família e como tudo era diferente no antigamente? Apesar do fascínio por estas narrativas de uma simbologia emocional incrível, ao longo dos anos fui-me apercebendo de uma lacuna importante nessas histórias: na maioria delas, o pai nunca estava realmente presente; era quase como um ator silencioso nos créditos da gravidez. Era aquela figura paternal rígida, de bastidores, quase desligado de todo um processo para o qual contribuíra ativamente, recaindo sobre a mulher todo o peso e responsabilidade da aventura que é a maternidade.

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Mas se formos a ver o papel paternal, tal como o da mãe, também começa logo na gravidez. Para além do óbvio (genético e biológico) contributo na fase da conceção, durante toda a gestação é imensamente importante a presença do pai em variadíssimos momentos. Destaco um que se calhar, por vezes, passa um pouco despercebido: a primeira consulta; aquela em que se confirma a gravidez e que dá início a todo o processo. Essa é talvez uma das situações que cria uma ansiedade inesperada, aquele friozinho na barriga que não estamos à espera. E aí começa, a meu ver, a grande função da figura parental: a de suporte.

A mulher passa hormonal e emocionalmente por uma verdadeira montanha russa de emoções que, por vezes, lhe retira alguma objetividade e pragmatismo e nos lança em ocasiões,  diretamente para momentos de tensão e ansiedade, completamente pouco recomendados numa gravidez.
O pai torna-se, deste modo, o pilar de um dos momentos mais importantes de uma vida a dois. É referência, estabilidade e o seu quê de bom humor que quebra a tensão em que mergulhamos.

Ele também começa aqui um verdadeiro estágio de aprendizagem para o resto da vida; o ganhar da consciência de que a vida como ele a conhece está prestes a mudar. Porque ele também pode sentir o bebé na barriga da mãe; ele também pode falar e cantar para o bebé; ele também pode dar carinhos ao bebé; ele pode e deve presenciar as ecografias, colocar mil e uma questões e ficar babado e derretido a olhar para aquele pequeno ser no ecrã; ele também deve estar connosco no nascimento a segurar a nossa mão e a dar conselhos que nós provavelmente nem iremos escutar, mas que seguramente vamos ouvir.


Um filho é o fruto de uma relação enraizada e cimentada no amor, partilha e cumplicidade de duas pessoas, por isso só faz sentido que a gravidez e o parto sejam logo vividos por ambos, sem barreiras nem hesitações.

Escrito por Vanessa Ramos

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